Com Texto


18/04/2008


Promessa é dívida - mas vou fazer um fiado

 

Não é novidade que eu bato ponto diariamente no Canário Café para um expressinho com leite e pão de queijo, e eventualmente uma fatia de bolo prestígio com uma trufa de damasco, uma delícia. Hoje, fui mais cedo, pois é o último dia de trabalho de uma funcionária, que se tornou amiga, aliás, todos os funcionários o são.

 

Ela, marido e os dois filhos voltam para sua terra natal, para perto dos seus familiares. Eu desejo que sejam muito felizes. Mas não posso negar que vou sentir sua falta, de seu jeito cativante ao usar a expressão ”amiga”, quando gentilmente pergunta se vou querer pão de queijo ou bolo, ou, em horários mais tranqüilos, conversamos, entre uma bandeja ao forno ou enquanto põe em ordem os utensílios usados. Rimos ou nos emocionamos com acontecimentos nem sempre alegres.

 

Espero que ela conserve daqui algumas lembranças agradáveis que se sobreponham ao incidente infeliz e inadmissível, acontecido há dois dias com seus filhos na escola em que estudam, Martinho Guizzo, onde dois elementos - um deles portando revólver - os ameaçaram. Providências serão tomadas, tenho certeza, para inibir que se repita fato tão lamentável de violência em nossa cidade.

 

Bom fim de semana prolongado!

Escrito por Cleusa às 22h07
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04/04/2008


Tortura e assassinato de crianças! Infecção hospitalar! E outras...

 

Gostaria de escrever uma história divertida, ou comentar uma boa notícia, ou tentar uma situação hipotética para resolver minha questão do post anterior. Mas frente a fatos que demonstram a insensibilidade da nossa espécie “superior”, olho para os meus cachorros e acho que eles agem de acordo com o seu desenvolvimento cerebral, chegando algumas vezes a surpreender por sua percepção e carinho. Não é para se acarinharem a si mesmos que vem a nós quando estamos tristes e ninguém mais percebe. Não depredam por ganância, não matam a não ser para se defenderem ou se alimentarem, não espancam os filhotes.

 

O que fez de nós, esta inteligência criadora, que supostamente nos torna os senhores da Terra, os donos da verdade? Não me perguntem agora, porque a resposta seria ofensiva e provocadora.  Estou com vergonha de fazer parte da espécie humana. Vergonha por mim mesma, porque criamos um sistema que funciona por meio da satisfação de interesses recíprocos, onde não há liberdade – nem poderia, as bestas humanas são as mais perigosas da Terra. Os animais vivem livres e a harmonia natural não é destruída, mas dêem liberdade aos humanos e eles se trucidam a si mesmos. Não se iludam, eu faço parte desta fauna. E você também.

 

Prometo que no próximo post abordarei amenidades. To precisando passar um tempo na beira da praia, ver o dia passar, somente passando, tranquilamente. Ah o marulhar das ondas se espraiando na areia, enquanto um siri rapidamente se enterra, e uma gaivota voa rasante à arrebentação. A mente se encharca com o cheirinho gostoso da maresia. A água escorrendo pelo corpo é o deleite supremo, é a fusão com a natureza. A luz quente do sol secando a pele deixa o gosto do sal na boca, que a língua languidamente saboreia. E a tardinha cai e um barquinho passa como na música do Menescal e do Bôscoli.

 

Bom fim de semana!

Escrito por Cleusa às 16h14
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25/03/2008


Pesquisa com embriões humanos

A pesquisa, utilizando embriões humanos, é uma esperança para pessoas portadoras de deficiências graves, que se beneficiariam com os resultados destas pesquisas, desenvolvidas através da manipulação de embriões de apenas oito células sem desenvolvimento da placa neural.

É uma questão que não podemos ignorar. Pode ser considerado não humano? Ou já deve ser considerado como pessoa humana? Em seguida, um texto meio longo para post de blog, mas considero relevante para um posicionamento ou pelo menos para se refletir sobre este tema, que diz respeito a todos nós, cidadãos, pessoas humanas.

O embrião   congelado

O avanço científico que possibilitou a reprodução humana assistida, mais especificamente a fertilização in vitro, consolidou alguns de seus aspectos nestes últimos 25 anos, mas também causou polêmica e provocou dilemas éticos novos e ainda não resolvidos. É necessário destacar que 25 anos pode ser bastante na vida de uma pessoa, mas é pouco tempo para que novas e desafiantes realidades sejam adequadamente avaliadas, e que posições éticas a seu respeito sejam desenvolvidas e amplamente aceitas.

Um dos problemas éticos mais sérios relevantes, levantados pelos atuais métodos da reprodução assistida, é a produção de embriões excedentes. A maioria dos centros de Fertilização In Vitro (FIV) congela embriões excedentes para que, no caso de não ocorrer a gravidez no ciclo a fresco, estas mulheres possam realizar a transferência dos embriões criopreservados, sem se submeter à nova estimulação ovariana e aspiração folicular. Sendo assim, é fertilizado um número maior de oócitos e os embriões que não são transferidos ficam congelados. Mesmo quando se consegue a gravidez no ciclo a fresco, esses embriões podem ser utilizados para uma gravidez subseqüente.

A opção de mantê-los criopreservados indefinidamente, quando não se almeja uma nova gravidez, acarretará futuramente outras questões, geralmente não avaliadas no momento da decisão, tais como ocorrências de separação do casal ou falecimento de um dos cônjuges. Nestes casos não há ainda regulamentação específica quanto ao destino dos embriões.

Afirmar que isto não é problema, defendendo que um embrião não tem vida nem é ainda um ser humano, não resolve em nada a questão. Se o embrião não tivesse vida, não passaria a tê-la depois de implantado no útero, se não fosse humano, não passaria a ser pelo processo de nidação.

wwwportaldeginecologia.com.br     

 “Não é exagero afirmar que muitos desses projetos de fertilização por meios assistidos não têm outro motivo senão o fomento de programas de experiências e manipulações genéticas centradas na terapia com embriões humanos.

A questão do descarte de embriões congelados continua sendo uma questão muito delicada na reprodução humana assistida quando da fertilização in vitro. Há países, como a Espanha, que permitem o congelamento de embriões durante 5 anos e depois deste prazo obriga sua destruição. Na Dinamarca os que sobram são destruídos logo após a fertilização, sem necessidade de crio preservação. Outros defendem a idéia da doação de embriões para fins de pesquisa, como ocorre nos Estados Unidos e Bélgica. Na Alemanha não se permite gerar mais embriões do que o que se necessita implantar.

Há aqueles que consideram o embrião humano, desde o estado celular de zigoto como um indivíduo da espécie humana, num estágio progressivo que alcançará o indivíduo adulto. Outros entendem que um embrião no estágio de oito células, sem desenvolvimento da placa neural, não pode ser considerado um ser humano.

Todos sabem que esta questão não é de fácil solução. Todavia exige uma posição rápida capaz de atender aos imperativos das novas técnicas de fertilização e, ao mesmo tempo, preservar o respeito pela dignidade humana

É questão fundamental definir se o embrião humano é "ser humano" ou "coisa"? E, como tal como deve ser tratado dentro da concepção ético-jurídica contemporânea?  Em primeiro lugar, não se diga que esse assunto é de pura especulação, pois ele transcende ao seu interesse meramente teórico. Se a vida humana se inicia na fecundação, na nidação, na formação do córtex cerebral ou, até, no parto, isso é mais uma questão de interesses do que de princípios. Depois cabe aos que admitem seu início nos últimos estágios, (como, por exemplo, na nidação) explicarem que tipo de vida é essa que existe nas fases anteriores.

Ninguém desconhece o fato de a vida ser algo muito emblemático e, portanto, não pode ter seus limites em simples fases de estruturas celulares. Se o embrião humano é ou não pessoa de direito, parece-nos mais uma discussão de ordem jurídico-civil, que adota os fundamentos da fisiologia humana, embora seja difícil entender como podem existir, entre indivíduos da mesma espécie, uns como seres humanos pessoas e outros como seres humanos não-pessoas.

A defesa e a proteção da pessoa humana – na dimensão que se espera dos direitos humanos, exige no mesmo sentido e nos mesmos valores, o reconhecimento de todos aqueles que se encontram em qualquer estágio de vida, inclusive no estado embrionário.

O que se quer chegar, pelo menos, é à condição de ser humano, pelo que isso significa, neste momento de tanto tumulto e de tanta inquietação, e nesta hora em que o sentimento se distancia mais e mais, e quando a indiferença parece ter tomado conta do mundo. “

Genival Veloso de França - Médico, Professor, conferencista internacional em Direito Médico

"Um embrião é a fase inicial do desenvolvimento de um ser humano; um embrião é um ser humano em sua fase inicial. O que é um homem se não um ser que um dia foi um embrião? O que é um embrião se não um ser que um dia se tornará um homem? "  Autor desconhecido. Eis a questão: o embrião ainda não é homem, se tornará. Ûma coisa é refletir à luz da religião, outra à luz da ciência.  Que dilema.

Escrito por Cleusa às 18h44
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24/03/2008


Educação deve formar bons questionadores

 

Esse título me chamou atenção. O professor e sociólogo César Calegari*, membro do Conselho Nacional de Educação, diz que a nova forma de pensar processos pedagógicos é ter alunos e professores atuantes e portadores de conhecimentos.

 

Questionar implica conhecer, que implica interesse, curiosidade. Indispensável, portanto, que os professores tenham uma boa formação, não só na sua área específica, mas em geral. Que possam fazer correlações em sala de aula, provocando a curiosidade dos educandos sem necessidade de projetos de interdisciplinaridade, que demandam tempo e desgaste. Tempo este que poderia ser usado em leituras. Óbvio que podem-se projetar trabalhos interdisciplinares sobre alguns assuntos que conjugam a atenção em determinadas ocasiões, mas não é possível projetar interdisciplinaridade para todo o conteúdo curricular, o que não exclui aguçar a curiosidade dos alunos citando cientistas famosos, ou escritores, ou filósofos que alteraram o “status quo” em alguma época. Usar o mapa-múndi em todas as disciplinas. Mostrar lugares e culturas diferentes, estimulando a ética e a tolerância, além de expandir o horizonte espacial.

 

Quando se fala em serras, por que não mostrar também os Andes, os Alpes, os Pireneus, as Rochosas...? Ou esportes relacionados? O objetivo do educador é principalmente abrir horizontes, dando-lhes as ferramentas básicas para que possam voar.

 

Certo que a educação é baseada nos interesses econômicos. E ficou muito especializada. Por isso estão surgindo os cursos extracurriculares para preencher o vazio das relações, das conexões culturais. É uma nova demanda do mercado profissional.

 

Outros problemas como salas lotadas, onde professores com muitas horas-aulas para conseguir um salário suficiente, não conseguem decorar os nomes dos alunos, estabelecer vínculos de amizade, respeito.   Hoje o professor não vai para a sala de aula – pela imposição dos valores da sociedade mesmo – como um abnegado lutador, mas por contingências profissionais.

 

A solução é clara, mas não é fácil. O investimento em educação gera benefícios à sociedade, traduzindo-se em melhor qualidade de vida ao cidadão.

 

*César Calegari diz que o apoio ao Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica – FUNDEB – é um ponto forte, pois a escola e principalmente a educação básica são essenciais para um bom desenvolvimento.  Fez uma crítica à Educação de Jovens e Adultos – EJA – o maior exemplo de fracasso na educação. Segundo ele, deveriam ter professores preparados para este tipo de ensino.

Escrito por Cleusa às 17h48
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31/01/2008


Caixa Dois

 

Depois de dar banho no Popó e ficar cheirando a xampu de cachorro, sequei-o com secador. Estávamos ambos na cama e acabamos cochilando. Acordei uma hora depois espirrando, com frio e de cabelo ainda molhado, assustada com uma tempestade de neve. Olhei as horas e resolvi tomar um expresso quentinho com pão de queijo no Canário Café. Pelas vinte horas e quarenta, quando manobrava para voltar para casa, resolvi passar na locadora e pegar um filme.

 

Chamou-me a atenção o título do filme – Caixa Dois – bem sugestivo e oportuno nas contingências atuais, infelizmente acho que em todas as épocas, passadas e futuras. O filme, produzido e dirigido por Bruno Barreto, que foi casado – à guisa de curiosidade –  com a atriz Amy Irving, ex-esposa de Steve Spielperg.

 

Bruno Barreto viveu dezessete anos nos Estados Unidos. Dirigiu filmes lá e aqui. Olhando com mais atenção percebi os atores – Giovanna Antonelli, Cássio Gabus Mendes, Zezé Polessa, Thiago Fragoso, Daniel Dantas e Fúlvio Stefanini, que são feras.

 

Beleza de filme. Baseado na peça de costumes homônima, de Juca de Oliveira, que fez muito sucesso, Caixa Dois é uma comédia leve e dinâmica, um conto sobre a ganância e a ética, mostra o dilema da decisão. Identificam-se no filme as notícias dos jornais das falcatruas que acabam em pizza. Enfim, a vida diária.

 

Um filme divertido, irônico e instigante.

Ano 2006.

Escrito por Cleusa às 06h37
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30/01/2008


Concluindo – Assassinatos na Academia Brasileira de Letras

 

 Jô Soares compôs uma história policial em que, no decorrer das peripécias investigativas, se delineiam situações algo tragicômicas, onde  as fraquezas humanas vão-se revelando. Ambientado no Rio de Janeiro da década de mil, novecentos e vinte, faz referência a eventos reais, que refrescam a memória histórico-cultural do país, sem descurar dos envolvimentos românticos casuais e mais sérios. Leitura leve e divertida, mas que proporciona reflexão sobre o relacionamento social e humano.

 

Escrito por Cleusa às 01h02
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25/01/2008


Coincidências...

 

Primeiro foi o livro do Zuzak, depois o filme A lista de Schindler, não sei por que não assisti na época em que foi lançado, e ontem Casablanca, que já assisti algumas vezes, mas sempre me emociono com o desempenho dos atores, o charme de Humphrey Bogart e a beleza de Ingrid Bergman. Ah e tem a frase antológica proferida por La BergmanPlay again, Sam – toca outra vez, Sam . E a música ao piano evoca as lembranças do amor eterno. Não, não pensem que se trata de um melodrama. Quem porventura ainda não assistiu, procure nas locadoras. Vale a pena. E ainda o filme Olga, que não vou comentar porque não faz tanto tempo que passou nos cinemas.

 

Bem, mas a coincidência é que estas obras têm em comum o ambiente da Segunda Guerra Mundial. Interessante que, a cada mergulho nesta época, observam-se algumas nuances desconhecidas. Claro que cada escritor, diretor têm enfoques diferentes. E a figura monstruosa do mosaico vai-se tornando mais objetiva. Como foi dito, “a guerra faz aflorar o que há de pior no ser humano”. E penso aqui com meus botões, se as pessoas já demonstram sua natureza “malígrina” – cadê o vampiro brasileiro? – na convivência, digamos social, como será numa guerra? Bem, já sabemos, mas nem é bom lembrar.

 

Melhor somente apreciar e não ficar conversando com os botões – este seria um herr capitão, aquele, o do mercado negro, o outro, o herói...

 

Para distrair, nada melhor que Aghata Chrystie em seu livro Poirot perde uma cliente. As deduções do detetive exibido, desvendando os mistérios da morte de sua cliente, prendem a atenção do início ao fim.

 

E posso adiantar que Assassinato na Academia Brasileira de Letras de Jô Soares – ainda estou no início – promete ser uma leitura interessante e divertida.

 

Bom fim de semana!

Escrito por Cleusa às 02h26
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13/01/2008


A menina que roubava livros

 

A história de Liezel, a menina que driblou a Morte três vezes, se passa entre 1938 e 1943 na Alemanha. Não por acaso, ela, a Morte é a narradora da história. E conta a dureza da vida em uma época assombrada pela guerra e pelas privações, não deixando de lado a ternura, que de alguma forma, consegue sobreviver à insegurança e ao caos. Em uma forma não linear de narrativa, esta obra prende a atenção e emociona durante toda a leitura.

O autor Markus Zuzak tem 31 anos, é australiano, filho de pai austríaco e mãe alemã.

Escrito por Cleusa às 00h07
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10/01/2008


Arthur Rimbaud – prazer em conhecê-lo!

Je ne parlerai pas,
je ne penserai rien.
Mais un amour immense
entrera dans mon âme.

 
trecho de "Sensation" , 1870

Nada falarei, não pensarei em nada:
Mas um amor imenso me irá envolver

Mas meu encontro com Rimbaud foi em Uma estação no inferno – Une saison em enfer – que me impressionou pela força de suas metáforas. Então fui saber quem era aquele escritor, o que o movia, o que fazia da vida. Este trecho de carta de Miller ao poeta André Gide diz sobre Rimbaud e sua obra.

 “Henry Miller

Creio que há muitos Rimbaud neste mundo, e que seu número crescerá sempre. Creio que, no futuro, o tipo Rimbaud substituirá o tipo Hamlet e o tipo Fausto.

Rimbaud é uma curiosa mistura de audácia e timidez. Ele tem a coragem de se aventurar lá onde nenhum branco jamais pôs os pés, mas ele não é capaz de enfrentar a vida com pouco dinheiro. Não tem medo dos canibais, e sim dos brancos, de seus semelhantes.

Une Saison en Enfer: este livro é a última palavra do desespero, da revolta, da maldição.

Ele combateu até o extremo limite de suas forças. E é por isso que seu nome, como o de Lúcifer, continuará glorioso.

Nele havia luz, uma maravilhosa luz, mas ela não devia se espalhar antes que ele morresse.”

http://www.starnews2001.com.br/rimbaud.htm

 

Escrito por Cleusa às 17h25
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02/01/2008


Ano Novo!

 

Sexta-feira. Tardezinha. Ainda com sol. Sem refresco. Carro cheio de tralha. Popó irrequieto no colo. Marido irrequieto ao volante. Combinação explosiva. Br 101. Desafio sempre. Agora com desvios. Fila devagar. Fila parada. Andando devagar.

Metade do caminho. Marido apurado para dar um mix. Dois terços do caminho. Pára no acostamento. Nem protesto. Alguns minutos para voltar à faixa. Trinta quilômetros em mais de uma hora.

 

Chegando à praia. Mochilas. TV. Microondas. Laptop. Sacolas de supermercado. Calor. Suor. Sem cerveja. Não gosto muito. Bom. Tudo acomodado.

 

Sábado. Manhã nublada. Bloqueador solar no rosto. Praia lotada. Poucos conhecidos. Cumprimentos e caminhada. Queimando os doces do Natal. Nem todos. O sol sai com força. Entro na água. Sempre uma delícia. Ainda a metade do caminho. O sol impávido. Protetor só no rosto. Virando pele-vermelha.

 

Domingo. Sem praia. Acordei tarde. Ainda vermelha. Acho que não vai embolhar. Visitas. Pessoas amigas. Compras. Sempre falta alguma coisa. Padaria. Não tinha pão de queijo. A torta de nozes me olha. Tentação. Levo um pedaço. E os pães com coco pra mãe.

 

Segunda. Véspera de ano novo. Foguetes explodem vez em quando. Popó assustado. Organizamos o menu. Tiramos alguma coisa. Incluimos outra. Três horas da tarde. Começamos a função. É o começo da festa. Pequena ceia pra família. Sempre falta alguma coisa. Supermercados. Tudo encaminhado. Panelas no fogo. Pernil no forno.

 

Revoada de cupins. Saudação ao novo ano? Sei lá. Luzes da cozinha apagadas. Nada fácil. As cebolas já estão transparentes? O molho do camarão ferveu? Afinal trazem Boa-Noite. Por que Boa Noite? Uma filha responde que eles precisam ver a fumaça. Nunca vi os olhos dos cupins.

 

A revoada acabou. Observei as panelas. Sem cupins. Não gostaram dos meus temperos. Nove horas da noite. Tudo pronto. Saudei o ano também. Bolhinhas subindo pelo copo. Mistura indistinta de música e vozes. Alguém me chama. Hora de jantar. Olho em volta. Momentos raros e preciosos.

 

FELIZ ANO NOVO !

Escrito por Cleusa às 21h29
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21/12/2007


Bem-vindo, Natal!

 

Ela caminhava sem pressa em meio ao burburinho de gente indo e vindo. As sacolas cheias ricocheteavam em seu corpo, continuando seu caminho rumo aos presépios e árvores de natal. É noite, e as luzes e enfeites natalinos emprestam uma atmosfera mágica e surreal.

 

Está sozinha e, no meio dos sorrisos anônimos e algazarra de crianças, não consegue se contagiar pelo bom humor aparente, apesar de manter um sorriso nos lábios. Serão lembranças de outros natais felizes, que congelaram em outras fases da vida, ou de natais melancólicos que ela nem lembrava mais? Uma árvore solitária num canto da sala vazia, uma ocarina solo tocando Noite Feliz.

 

Uma banda começa a tocar alto. Um rock metálico invade os ouvidos, e todos os outros sons emudecem. Ela acorda da letargia e lembra do que veio comprar – um par de sandálias brancas com plataforma beje, talvez cortiça, talvez imitação. Olha para a vitrine repleta de todo tipo de sapatos e sandálias e ali está a sandália esperando por sua dona.

 

Mas também estão lá, a sandália de dedo em couro amarelo, que sua mãe havia preferido em vermelho, a casa de bonecas, o triciclo enorme, o bebê grande de louça, o pianinho cor de rosa, a maquininha de costura, a boneca que anda, com seus longos cabelos de náilon louros e seu vestidinho de renda, a bola de borracha do Mickey com seu cheiro adocicado de chiclete. Ainda sentia este cheiro, agora misturado ao do carrinho de cachorro-quente ao lado.

 

Sorriu ante estas imagens. A nostalgia se dissipou, e ela alegremente desejou boas festas à vendedora solícita, que a encaminhava ao caixa. E partiu lépida para preparar mais um Natal.

Escrito por Cleusa às 01h30
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11/12/2007


Estou cansada, pensei que ia parar hoje, mas pelo que estou vendo, só na semana que vem. Ainda não descobri aonde comprar umas horas extras! Os pentelhos estão em férias snif, acho que vou me internar antes de começar as aulas, será que agüento?

 

Mas esta noite me vinguei do meu marido, homem é fogo né? (vou evitar palavrões, vai que sou expulsa rss). Ele foi tomar umas cervejas com o irmão, adorei, eles estavam se estranhando, e agora está tudo bem, estou feliz por ele!

 

Bom, fiquei esperando o homem chegar, e nada, dormi, nem vi a hora que chegou! Mas lá pelas quatro horas da manhã, acordei, até fiquei com pena de acordá-lo, mas não conseguia dormir, então fiz o que ele faz comigo – acordei-o e falei que queria a festa da Paula. O coitado do homem nem sabia onde estava, mas se achou rapidinho!

 

Bom, feita a festa da Paula, falei boa noite e ainda pedi pra ele não fazer barulho quando acordasse, afinal eu não precisava sair cedo. Foi muito bom ver a cara dele, ali acordado sem conseguir dormir, e eu desmaiei.

 

Pela primeira vez depois de quatorze anos de casada, me vinguei do vira e dorme!

 

Estas histórias do Orkut rssssss

Escrito por Cleusa às 02h15
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04/11/2007


A vida é muito estranha mesmo

 

Não é meu hábito me demorar em elucubrações sobre a vida. Não gosto de assistir a filmes dramáticos, mesmo que sejam lindos ou tenham sido premiados com o Oscar, nem de ler obras semelhantes. Mas a curiosidade sempre me vence e eu acabo mergulhada numa lagoa nem tão azul e bem salgada. Interessante que as obras de terror me causam susto, mas não me dão pesadelos. A estes filmes assisto muito raramente e nem lembro de ter lido alguma obra no gênero com exceção de policiais, que aprecio. Podem se decepcionar, mas gosto de filme de ação com bastantes efeitos especiais. Adorei Piratas do Caribe I e II, sou apaixonada pelo Johnny Deep. Ele é impressionante como galã ou como o mais desglamurizado homem da face da Terra. Um dos poucos famosos que eu gostaria de constatar se é realmente esta figura singular e apaixonante ou um ótimo ator. E Piratas do Caribe, ao contrário de algumas críticas, é uma metáfora bem-humorada e irreverente sobre a tênue divisória entre o bem e o mal.

 

Para variar, me desviei do assunto, “pero no tanto”. Tenho um amigo já, na locadora, que freqüento há anos, que volta e meia me sugere alguns filmes que eu jamais pegaria, mas que invariavelmente são bons, acho que ele já conhece as preferências e manias dos clientes. Ontem, diante da minha escolha, descartou os dois filmes, que eu submeti ao seu critério e me colocou nas mãos outros dois. Um de ação e suspense – 88 minutos com Al Pacino – que sabe que gosto e outro – O amor pode dar certo, não lembro o nome dos atores – um drama, que eu não escolheria, mas realmente muito bom sobre o romance entre os protagonistas, dois doentes terminais, que conseguem viver intensamente a vida, enquanto ela dura. Uma lição para quem sempre deixa para viver amanhã. Hoje está sempre muito ocupado.

 

Entre as manias que tenho –  eita plágio danado – uma é assistir a filme no computador, coisa que ninguém entende e nem eu, mas gente velha tem manias mesmo e muitas ai ai. Bem, assim que terminei, com a boca ainda úmida e salgada abri o msn que deixo ligado e percebi a mensagem – tristeza profunda – no nick da prima Luzia. Claro que me assustei e a chamei e – vida estranha, surpreendente e não raras vezes muito cruel – no acidente de hoje, domingo, com um jatinho que caiu sobre uma casa em São Paulo, faleceu seu sobrinho piloto. Não há palavras que consolem nestas ocasiões, mas nosso abraço e sentimentos à família.

Escrito por Cleusa às 23h20
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26/10/2007


Memória...

 

Sou apaixonada por Gabriel Garcia Marques – Nobel em 1982 com seu livro Cem anos de solidão.-, mas confesso que não gostei quando li pela primeira vez, e continuo não gostando, do título de seu livro de 1992, Memórias de Minhas Putas Tristes, embora eu não consiga imaginar um título mais apropriado.

 

Não vou considerar como realismo fantástico, mas também não se pode dizer que não contenha algumas características.  Enfim, um livro que conta a incrível história do personagem, que no dia de seus noventa anos, resolve se dar um presente insólito, e a partir daí a narrativa prende a ponto de eu quase ler este livro de um só fôlego.

 

Para quem gosta de ler, o site Detonando é ótimo. Bom fim de semana.

Escrito por Cleusa às 22h06
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16/10/2007


Ausência na Primavera

 

Resolvi aprender a gravar em dvd. Então coloquei em prática a minha metodologia, aqui uma correção, na verdade aprendi esta técnica com o professor e coordenador de um curso que fiz. Trata-se do fuceixon, ou seja, tentativa, erro e possível acerto, considerando as inevitáveis trapalhadas no pc. Levando em conta também as consultas aos amigos e amigas que porventura se encontrem online no momento.

 

Já há algum tempo descobri, pelo fuceixon, que se pode voltar o pc a um ponto antes de começar alguma coisa, por exemplo, se ao fazer um download, acontecer um erro, é só retornar o pc ao ponto antes da confusão. Isso me deixa bem mais tranqüila quando me ponho ao largo sem lenço nem documento.

 

Bom, não foi o primeiro livro que baixei, mas o primeiro que gravei em dvd, Ausência, título original – Absent in the Spring – da Aghata Christie, escrito sob o pseudônimo Mary Westmacott. Ela também escreveu livros que não são policiais. E este é um deles.

 

Ela conta como Joan, personagem principal, presa por alguns dias numa região remota, devido a chuvas, sem alguém para conversar e nada para fazer, relembra sua história de vida e descobre coisas que só ela não sabia sobre si mesma, sua família, amigos e conhecidos. Algumas vezes não percebemos o que não queremos perceber, para não ter que fazer mudanças. Não tentamos algum sonho por receio ou insegurança. Se isso é válido ou não, é outra história.

 

Li à noite e só parei quando cheguei ao final. Isso não é um bom hábito porque quase amanheci no pc.

Escrito por Cleusa às 00h26
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