Tortura e assassinato de crianças! Infecção hospitalar! E outras...
Gostaria de escrever uma história divertida, ou comentar uma boa notícia, ou tentar uma situação hipotética para resolver minha questão do post anterior. Mas frente a fatos que demonstram a insensibilidade da nossa espécie “superior”, olho para os meus cachorros e acho que eles agem de acordo com o seu desenvolvimento cerebral, chegando algumas vezes a surpreender por sua percepção e carinho. Não é para se acarinharem a si mesmos que vem a nós quando estamos tristes e ninguém mais percebe. Não depredam por ganância, não matam a não ser para se defenderem ou se alimentarem, não espancam os filhotes.
O que fez de nós, esta inteligência criadora, que supostamente nos torna os senhores da Terra, os donos da verdade? Não me perguntem agora, porque a resposta seria ofensiva e provocadora. Estou com vergonha de fazer parte da espécie humana. Vergonha por mim mesma, porque criamos um sistema que funciona por meio da satisfação de interesses recíprocos, onde não há liberdade – nem poderia, as bestas humanas são as mais perigosas da Terra. Os animais vivem livres e a harmonia natural não é destruída, mas dêem liberdade aos humanos e eles se trucidam a si mesmos. Não se iludam, eu faço parte desta fauna. E você também.
Prometo que no próximo post abordarei amenidades. To precisando passar um tempo na beira da praia, ver o dia passar, somente passando, tranquilamente. Ah o marulhar das ondas se espraiando na areia, enquanto um siri rapidamente se enterra, e uma gaivota voa rasante à arrebentação. A mente se encharca com o cheirinho gostoso da maresia. A água escorrendo pelo corpo é o deleite supremo, é a fusão com a natureza. A luz quente do sol secando a pele deixa o gosto do sal na boca, que a língua languidamente saboreia. E a tardinha cai e um barquinho passa como na música do Menescal e do Bôscoli.
Bom fim de semana!



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